segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Trabalho na caridade


Todos os umbandistas sabem que a Umbanda é uma religião que tem como sinônimo a caridade. As entidades nos trazem este ensinamento, as aulas que frequentamos nos trazem este ensinamento  e também nossos pais e mãe de santo. Mas será mesmo que sabemos o que é trabalhar na caridade?

Vamos iniciar com o preceito mais básico da Umbanda. “Daí de graça o que de graça recebestes”. Mediunidade é um dom divino e não deve ser cobrado. Não se cobra por trabalhos dentro de um terreiro de Umbanda. O tempo que o médium disponibiliza dentro de um terreiro para trabalhar com sua entidade deve ser encarado como uma oportunidade de crescimento. Os trabalhadores de um terreiro são afortunados e não devem encarar esse desgaste energético como um favor que fazem. Receber uma entidade ou a servir durante uma seção em uma casa umbandista é um privilegio para poucos. Não pensem que ao desencarnarem conseguirmos estar em contato direto com nosso queridos pretos velhos ou com nossos amados caboclos. Quando desencarnamos existe uma separação energética entre os menos e os mais evoluídos que se chama campo vibracional e essas entidades estão há anos luz a nossa frente.  Então lembre sempre a sorte que você tem.

Ok. Para um terreiro de Umbanda ser completo, a meu ver, deve-se ter projetos sociais. Um terreiro que só cuida do lado espiritual é incompleto. O terreiro tem como dever amparar os necessitados de todas as formas. Tanto material quanto espiritual. Não se consegue rever conceitos o faminto que vê sua família passando fome. Para o terreiro Umbandista conseguir executar este trabalho ele conta com os filhos da casa e o umbandista tem obrigação de ajudar e participar das obras sociais da casa. Se ele assim não o fizer não está coerente com a filosofia da Umbanda. Para receber ou servir uma entidade umbandista este médium deve estar em perfeita sintonia com a causa que essas entidades defendem. E ao olhar  dessas entidades que sabem e tem uma visão muito alem da nossa, que digamos extremamente limitada, servir ao outro também é uma oportunidade.

Para conseguir desenvolver ou o trabalho espiritual ou o trabalho social dentro de um terreiro o médium precisa de muito preparo.  Este médium vai estudar ,observar e vivenciar tudo que presenciou ao longo desse tempo de preparação.  Isso é uma necessidade para que o médium consiga exercer o papel que ele se propôs.

Alem do terreiro este filho de Umbanda deve, a todo o momento, estar ligado a tais preceitos citados anteriormente sendo um exemplo para todos a sua volta.

Sabemos, entretanto que ser 100% é uma coisa muito difícil mas temos que manter a coerência do nosso trabalho e a filosofia de vida que adotamos.
Definitivamente, para o umbandista, caridade não é escolha. Para o umbandista, caridade é obrigação. A escolha foi dada quando ele aceitou se tornar umbandista. A partir desse momento é obrigação compreender, ajudar e amparar no que for possível sempre que necessário.

Portanto lembre-se que ser umbandista é muito mais que usar colares no pescoço e ser caridoso é muito mais do que dar esmolas e a todo instante recorde que o trabalho na caridade “da trabalho” e esse trabalho foi aceito lá atrás quando aceitou a responsabilidade de ser um umbandista.

Honre seu compromisso e o coroe com tudo de bom que existe dentro de você.

Que a paz de Oxalá esteja dentro de cada um de nós


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Umbandista. Gratidão e trabalho.


Estará em cartaz mês que vem no Rio de Janeiro uma opera chamada “Alabê de Jerusalém” extraído do livro “Ogundana, O Alabê de Jerusalém” que trata entre varias coisas sobre o preconceito. Ainda não pude pessoalmente, mas com essa oportunidade da opera na cidade maravilhosa poderei ver pessoalmente este espetáculo. Colocarei a baixo um trecho da opera para vocês terem ideia do que estou dizendo.



Bem. Com esse musical de tanta emoção e sinais temos a obrigação de parar para refletir sobre o papel do umbandista.

Qual o nosso papel em quanto umbandista? A resposta é simples porem as atitudes que temos que tomar para alcançar não. A umbanda tem o papel de trabalhar e amparar o lado espiritual das pessoas que vem em desespero. Logo, como a Umbanda só existe se existirem umbandistas, o papel do umbandista também é este. Mas em que e como implica dizer isso? É nessa hora que nos deparamos com um problema. Problemas sérios e primários. 

1-     Desconhecimento da religião: Como poderemos amparar o outro se não sabemos como? Isso é um caso muito estudado dentro da administração. Resultado = Habilidade X Motivação. Não adianta você querer alcançar resultados na tentativa de ajudar o outro se você não tem conhecimento. Qualquer coisa vezes zero é zero. Estudo é primordial para que o médium Umbandista amplie suas habilidades.
2-     Imaturidade espiritual: Um médium recebe suas entidades, se comporta como uns lordes em quanto os trabalhos estão abertos e logo após uma gira ele entorna o caneco no boteco mais próximo. Claro que isso é um exemplo bem escrachado. Ele pode trair seu cônjuge, brigar com o cachorro, berrar com a quina da mesa quando bater o dedinho. O problema que a partir do momento que este individuo se denomina médium e Umbandista, todos os seus atos serão observados pelos que o rodeiam e qualquer coisa, DIGO QUALQUER COISA, será observado de forma diferente simplesmente pelo fato daquele cidadão ser Umbandista. As pessoas que não conhecem a religião estão esperando você se auto desqualificar para que elas não tenham o trabalho de mudar o conceito delas em relação às convicções delas.
3-     Despreparo emocional: Qualquer situação leva ao descontrole. Onde está a fé? Onde está a crença? Se o Umbandista se desespera como outros vão acreditar no que é professado? Como os outros acreditarão que naquele lugar existe a solução para suas vidas. Não vamos confundir o que eu disse com balcão de milagres. Estou falando de soluções espirituais.

Resumindo a opera, o papel do umbandista é levar o nome da Umbanda. Para ele conseguir fazer isso ele terá que ter conhecimento para esclarecer duvida, ele deverá ter autocontrole, ele deverá ser exemplo de conduta, alem de estar preparado para trabalhar com seus guias e cumprir seu papel, tudo isso sem vaidade, egoísmo ou mesmo preguiça.

Quem falou que ser umbandista é fácil? Você terá que trabalhar duro, terá que se modificar constantemente, aprender a destruir seu ego e ter muita fé e perseverança para aguentar as trombadas sem cair, pois se lembrem umbandistas: Vocês são as esperanças de muitos sofredores e as ferramentas que as entidades e Oxirás trabalham. Você fará tudo isso e o seu “pagamento” não será desse mundo.  O entendimento disso é muito trabalhoso mas a missão foi dada. Todos foram chamados, mas só alguns serão escolhidos. Se você aceitou este desafio, agarre-o com afinco como se fosse o melhor emprego da sua vida, como se fosse a mulher ou o rapaz mais bonito que conquistaram, como se fosse a família mais harmoniosa. Pois acredite. Realmente o é e a Umbanda merece isso e muito mais.


Então quando você questionar qual é a missão do umbandista responda:

Umbandista é trabalho, fé, dedicação, humildade e designação. Umbandista é ser grato pelo privilegio de ser umbandista.

Saravá a todos

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Levando ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá


Estes dias, estive intercambiando informações com familiares consanguíneos  que são umbandistas mas de outros terreiros e estávamos comentando sobre o estudo dentro da religião. 

Temos visto consulentes umbandistas  que chegam a nossas casas sem um mínimo de conhecimento sobre a vida religiosa e espiritual que exercem. São pessoas com 10, 15, 20 anos de trabalhos mediúnicos que não sabem um mínimo da religião que professam e vem até os guias de outra casa buscar esclarecimento. 



Isso é alarmante e preocupante. Será que os responsáveis por esses médiuns confusos não dão a devida atenção a este fato? Como pode um médium trabalhar sem a devida bagagem de conhecimento?  E a pergunta mais relevante. Como amar ou até mesmo vivenciar uma religião que não se conhece bem? Estes médiuns ficam desprotegidos sem entender e sem saber como se defenderem de uma demanda, de uma mandinga ou um simples pensamento negativo. Tornam-se médiuns medíocres sem engrandecimento moral aos olhos de Olorum. São meros espectadores de uma opera sem sentido estrelado por seus guias.  Verdadeiras páginas de um livro em branco que nenhuma historia têm para contar. E nossa historia é passada de “pai para filho”. O grande conhecimento, como em todo mistério da vida, não é encontrado escrito por ai em algum “manual de umbanda”.

O mais triste disso tudo é conseguir entender o porquê de nossa religião permanecer nesse limbo da sociedade como pratica de pessoas atrasadas e ignorantes. Está na hora de mudarmos esse cenário e preocuparmos mais com a base da nossa religião que é o crescimento espiritual.

Médiuns em geral, entendam que se vocês não gostam de buscar conhecimento para se melhorarem o mais prudente é se desligar dos trabalhos mediúnicos. O médium tem obrigação de trabalhar para a sua própria iluminação.

Médiuns Umbandistas entendam que pela lei de Umbanda somos aprendizes que temos por dever buscar nosso engrandecimento e por consequência engrandecer o nome de nossa religião.
Alguns podem dizer que com suas vivencias somada com os ensinamentos dos guias lhe basta para se instruir e ajudar o próximo. Não seja tão presunçoso e vaidoso ao se conformar com o mínimo. Arregace suas manas e se prepare, pois a batalha é longa. Um guerreiro mal preparado é o primeiro a ser abatido na guerra. Chegou a hora de deixar de lado o comodismo e mostrar que pela Umbanda vale tudo isso e muito mais.

Como nosso hino bem diz:

“Avante filhos de fé.
Como a nossa lei não há.
Levando ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá”

Hasteiem suas bandeiras, ergam suas espadas. Empunhem seus escudos e declaremos guerra a ignorância e a preguiça. Pois como disse um conhecido sacerdote umbandista: “A umbanda não é religião para gente mole. A umbanda é religião para gente de garra”.

Que a sabedoria de Oxalá e a força da mudança de Ogun nós levem a planos mais elevados.

Que assim seja. Que assim será.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Hierarquia na Umbanda. Alegrias e tristezas.


Estes dias atrás ocorreram varias coisas que me deixaram muito triste. Uma pessoa que amo muito está a meu ver se tornando uma pessoa muito amarga e deixando o “poder” tomar a cabeça. Com muitos sabem, dentro de um terreiro existem como em quase todo lugar da terra a hierarquia para que o trabalho possa caminhar bem e que a responsabilidade seja delegada a pessoas que já demonstraram seu valor. O problema é que esses cargos deve e vêm com uma confiança que traz certa autoridade as pessoas que assim são selecionadas no trabalho. Algumas dessas pessoas entendem que tal posição não a faz melhor ou pior que as outras pessoas.

Minha tristeza surge também por um irmão não conseguir entender o significado de uma guia no pescoço, mas se torna exponencial quando se trata de uma pessoa em que amamos e que em outrora era um exemplo que mirávamos para seguir. Hoje me sinto como a criança que perde seu super herói.  Mas esse sentimento vem acompanhado de reflexão, pois se não aproveitarmos os fatos que acontecem conosco para melhorarmos seremos verdadeiros idiotas e não é isso que a Umbanda nos ensina.



Nós que estamos totalmente integrados nos trabalhos Umbandistas tendemos com o tempo e com a aquisição de conhecimento e sabedoria alcançar postos mais altos dentro da hierarquia dos terreiros e hoje eu que me entristeço com tal situação posso ser o errante do futuro cometendo os mesmo erros e deslizes. Poderemos nos tornar o herói decaído dos que vem antes de nós. E este sentimento que hoje habita meu coração passa a ser o de outro.

Diante desta situação vamos nos espelhar nos nossos amados e pacientes pretos velhos que não fazem julgamento de nossa atitudes e tentemos compreender que cada um tem seu tempo de entendimento da vida e da posição que ele ocupa, não só nos terreiros, mas no coração daqueles que os tem como seu  exemplo.

Vamos rezar para que tais pessoas que amamos se encontrem e que na nossa hora não cometamos os mesmos erros.

A hierarquia serve para mostrar quem são os mais preparados e os que poderão ser listados nos momentos de necessidade e não para dar status ou poder para  os que a possuem. Você que ocupa algum posto de destaque dentro do seu terreiro lembre sempre disso. E para os que ainda vão chegar La não esqueçam que foi a humildade que os conduziu até lá e é assim que se deve continuar. Lembrem que a hierarquia é apenas uma guia no pescoço e que isso pode ser retirado a qualquer momento, mas que a admiração dos que vem de traz é a verdadeira “hierarquia” que nós é dada, e só nós com atos impensados e contrários as leis umbandistas podemos jogar fora.

Gostaria que vocês, caros leitores, não entendam esse meu desabafo como um julgamento, mas como uma forma que encontrei de abrir meu coração e despejar e aliviar meu pesar. Não pensem que quem lhes escreve se considera melhor. Muito pelo contrario. Eu temo não conseguir forte quando chegar a hora de minhas provações mas tenho fé em meus guias e Orixás que quando chegar o meu tempo eles estarão comigo pesando suas mãos sobre meu ego e orgulho.

Obrigado por poder compartilhar esse momento com vocês.

Que a paz e a sabedoria de Oxalá estejam com todos nós.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Umbanda e a porta dos desesperados


Estes dias escutei alguns irmãos meus reclamando que grande maioria das pessoa que vem ao terreiro que fazemos parte só buscam a solução do seus problemas e logo que conseguem vão embora. Alguns ainda falam mal da religião como se nunca tivessem pisado no lugar. Nesta hora me veio à cabeça um bloco do programa do apresentador Serginho Malandro, ainda quando passava na emissora de televisão Globo, que se chamava a porta dos desesperados. Para quem não conhece ou não se lembra, neste bloco, o participante escolhia algumas portas. Caso encontrasse a correta levaria o premio. Caso contrario, um monstro aparecia para assustar o participante.

De uma forma bem caricata esta é a imagem de tais frequentadores que adentram nossos templos em busca de auxilio. O camarada que o seu “premio” então ele vai buscando varias religiões em busca de resolver seus problemas. Ele sabe que atrás das “portas” pode encontrar algum “monstro”, mas ele se arrisca. O interessante que os terreiros de Umbanda que seriam o “monstro” da vez acabam sendo a porta em que eles encontram o “premio” e acabam por solucionar seus problemas.

Sinceramente eu penso que a função dos terreiros é ajudar QUALQUER pessoa independente do que poderá ser dito posteriormente. Este texto não é para criticar estas pessoas mas para esclarecer algumas coisas.

1-      Umbanda é religião: Sendo assim nós não somos um punhado de sombras de outras religiões. Temos fundamentos, valores e preceitos.
2-      Umbanda não é pronto socorro: Toda casa Umbandista prega o bem e o mais importante. Prega a mudança interior. Umbanda é escola. Escola da vida. Umbanda é casa de mudança.
3-      Umbanda não se presta a praticas egoístas: Não adianta você querer que umbanda trouxesse a pessoa amada, descubra infidelidades, preveja a morte, destrua inimigo.  O que se encontra em casa de Umbanda é o ensinamento e a motivação para que você corra atrás.
4-      Umbanda não faz negocio: Nem adianta pensar que tudo na vida tem seu preço. Umbanda não se cobra e os trabalhos são sempre em prol do progresso.
5-      Umbanda prega princípios: A umbanda é amor, caridade, fé e fraternidade. Umbanda se resume nestes princípios.

Realmente a Umbanda vai acolher as pessoas de braços abertos, como acolheu a mim e acolhe sempre que necessito dela. Entretanto se você acredita que a Umbanda vai te dar alguma coisa de mão beijada é melhor repensar se seu lugar é mesmo uma casa Umbandista.

A Umbanda ensina a pescar e te coloca uma vara na mão. Se você pensa que os peixes virão de encontro a ela provavelmente morrerá de fome.

Ah e as pessoas soubessem que o maior beneficio que temos vem depois que resolvemos nossos problemas imediatistas. A Umbanda de verdade vem depois disso pois ela nos ensina a viver.

Eu ainda acredito que as pessoas vão conhecer a verdadeira Umbanda. E quando este dia chegar o mundo vai se tornar um lugar melhor de se viver.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

A importância da música


Isso aconteceu antes de me tornar médium de Umbanda. 
A primeira vez que pisei em um terreiro vi muitas coisas diferentes. A variedade de imagens coloridas de santos católicos e entidades, o aroma das ervas queimando, dos cachimbos dos pretos velhos, mas o que primeiramente tocou meu coração foi às músicas.  Eu sentado no banco de madeira do lado de fora da corrente ficava hipnotizado com o toque do atabaque que repicava e marcava tão compassadamente os trabalhos das entidades. As letras que refletiam a simplicidade e seriedade daquela casa. A voz do cantor que apesar de não ser afinada, transmitia o seu sentimento pela religião. Uma voz tão sincera que tocava o coração. Eu ali sentado, escutando aquelas musicas até que em um momento do ritual os tambores se tornaram mais cadenciados, os rostos se serenaram e uma canção foi entoada.



“Nesta casa tem quatro cantos
Em cada canto tem uma flor
Nesta casa não entra a maldade
Nesta casa só entra o amor”

Neste momento meus olhos marejaram e fiquei muito emocionado. Não havia escutado até aquele momento uma música tão simples e tão linda. Realmente aquela religião tocara meu coração. Foi um sentimento tão avassalador que nunca mais consegui faltar uma se quer reunião. Eu ia a todos os dias de trabalho.

Busquei saber quem faziam aquelas músicas tão lindas e fui informado que as próprias entidade que passavam as letras e que tais músicas eram chamadas pontos. Fui informado também que os cantores se chamavam Ogãs e eram responsáveis por varias coisas dentro do terreiro, inclusive entoar os pontos.  Após tantas perguntas eu acabei entrando para a corrente como aprendiza de atabaque.  Vivenciei o que poucos médiuns umbandistas vivenciaram.  Pude entender o verdadeiro sentido e necessidade dos pontos dentro de um terreiro.

A música dentro da umbanda é uma ferramenta crucial. Ela ajuda no transe, na concentração, na elevação dos pensamentos. A música é o esqueleto da corrente, pois ela que da sustentação ao trabalho durante todo o ritual. É o couro do atabaque que conta se a reunião está tranquila ou se estamos sofrendo demandas. Tudo isso é verdade e todos os membros sabem. O que alguns não sabem é que o Ogã é responsável por guiar a corrente e não de sustentar sozinho. Eles apenam ditam a direção e o compasso. São como maestros e o restante da corrente é a orquestra.

Quantas e quantas vezes eu vejo irmãos sem cantar? Quantas e quantas vezes eu vejo irmão sem bater palmas? E em quanto aprendiz de atabaque eu observava tudo aquilo.  Médiuns trabalhando com suas entidades e o cambono em silencio a seu lado.

Durante seis meses trabalhei como aprendiz de atabaque e pude notar que quando os membros cantavam, ao termino dos trabalhos, o médium estava mais disposto, mais descansado. Quando o canto era fraco todos saiam esgotados da reunião inclusive quem tocava o atabaque que se sobrecarregava.

No dia que me apaixonei pela Umbanda, o canto entoado no terreiro estava forte. Todos os membros se mostravam satisfeitos com o que faziam. A música dessa corrente, forte e coesa que me fez apaixonar.

A sintonia da melodia com o estalar de dedos dos pretos velhos. O batuque com o brado do caboclo caçador.  As palmas sincronizadas com o riso do erê. É isso que toca os corações. É também no canto que demonstramos a nossa força e nossa fé. São nas letras dos pontos que transmitimos os nossos fundamentos, valores e ensinamentos. A música na Umbanda é parte ativa do trabalho. O ponto é uma oração cantada e vivenciada. Quando cantamos um ponto, isso é o próprio Orixá manifesto porque Orixá é sentimento, energia, vibração.

Hoje sou médium de Umbanda, mas sou um médium consciente da necessidade do canto. Por isso sempre que participo dos trabalhos canto com toda força que tenho dentro do meu coração porque sei que aqueles que ali estão buscando um consolo podem ser tocados pela sinceridade e amor do meu canto. Canto sim com a alma porque só assim que tem sentido para a minha vida. Às vezes eu conto esta historia para alguns de meus irmãos e percebo que mesmo depois de escutar tudo, eles não compreendem bem a importância do canto para nossa religião. Assim como eu ainda não compreendo tudo que minha mãe de santo diz ser importante.

Mas vamos seguir em frente nesta marcha de amor e fé e nunca desistir e sempre buscar se aprimorar. Mas cantando e com o coração para que nosso canto possa chegar até Aruanda e  chamar sempre nossos guias para junto de nós para mais um dia de trabalho.

Despeço-me hoje com um ponto que gosto muito.

Que a paz de Oxalá esteja conosco.

"Você que fala da Umbanda 

Não sabe o que a Umbanda é 

 A Umbanda é força divina 

 A Umbanda é pra quem tem fé. 

 A Umbanda é de Preto-Velho 

 E de Caboclo de pé no chão 

 A Umbanda é de gente humilde 

 Pois a Umbanda é amor e perdão"

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dia da caridade


Nesta semana se comemora a semana da caridade. Na verdade o dia correto é 19 de julho. Claro que este dia é simbólico porque para nós umbandistas o dia da caridade é todo aquele em que temos forças para exercer.  O peculiar da umbanda é que tudo gira em torno da caridade e humildade. Mas a caridade e a humildade se confundem. A caridade é amor a Deus e ao próximo, e a humildade é o respeito a Deus e ao próximo. Como se ama sem se respeitar? 

Quando batemos cabeça estamos demonstrando nosso respeito e nosso amor aos Orixás e as leis da Umbanda. Quando beijamos a mão do preto velho estamos demonstrando respeito e amor a eles e a seus valores. Quando ajoelhamos para saldar um caboclo estamos reverenciando a essência do caboclo que é a natureza. Quando sarávamos Exu estamos demonstrando respeito e pedindo proteção a estes guardiões do astral. Cada gesto, cada elemento, cada símbolo de nossa religião nos remete a caridade e a humildade.



Você já parou para prestar atenção na postura do caboclo quando incorporado? Ele se manifesta quase sempre com a mão esquerda nas costas e a mão direita à frente apontada para o alto. Ninguém nunca se perguntou o porquê disso? Este gesto traduz um ensinamento milenar muito conhecido por todos os cristãos: “Não saiba vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”.  Este é um dos princípios da caridade. Daí de coração. Trabalhe para o outro no anonimato. Seja apenas um instrumento. Isso não lembra alguma coisa? Mediunato. Ser médium é aprender a ser caridoso. Humilde. Anônimo. As próprias entidades que manifestam na umbanda abrem mão desse reconhecimento quando se apresentam simplesmente como Mãe Maria, Pai João, Caboclo Arranca Toco, Caboclo cipó, Exu Tranca Rua, Erê Paulinho, etc.

Não existe status quando se pratica a caridade. Não existe premiação por praticarmos a caridade. Não pode existir a premiação ou status, pois caridade se tornaria sinônimo de troca.

Vamos parar um segundo e pensar nas entidades que trabalham conosco. O preto velho vem, trabalha, ama o filho que se ajoelha a seus pés. O que o preto velho leva para Aruanda quando se encerram os trabalhos? O DEVER CUMPRIDO. A satisfação do bem empregado. A mesma coisa o caboclo. A mesma coisa a umbanda e por consequência é assim que os trabalhos da umbanda se realizam. O único ganho que devemos ter é a satisfação do dever cumprido. Mas e aquela historia de que quem faz recebe? Ela é apenas uma historia mal dita? Mal interpretada?

Digamos que em nossa vida fazemos sempre a caridade. Neste percurso muitas pessoas são beneficiadas. Algumas delas vão passar a diante este carinho, amor e respeito recebidos, pois estarão cientes de como é importante e benéfico fazer o bem. Um ato simples, porem sincero desencadeia uma seria de atos simples e sinceros. Essa caridade se multiplica até que um dia ela volta até você. Porem ela não chega só até você. Ela se alastrou nos corações e cada semente germinada em um coração gera varias outras sementes que podem ser repassadas.

Você não recebe de volta uma caridade feita porque você fez alguma coisa boa ao outro. Isso seria uma troca ou pagamento. Na verdade é o mundo se modificando em função de um gesto.

Essa caridade passa de ação isolada e se torna um estilo de vida. Quem aprendeu a praticar e receber a caridade ensina esta pratica para os filhos que já crescem sabendo que ser caridoso é uma necessidade para que o mundo floresça.  

Assim, umbandistas. Vamos usar este dia para que essa corrente nunca pare. Siga as instruções e exemplos dos guias. Aprenda com a Umbanda. Religião é a escola de grandes homens.

Que assim seja.
Saravá Umbanda